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maio 05, 2017

"CRUELDADE E SOFRIMENTO"

“A crueldade é constitutiva do universo, é o preço a pagar pela grande solidariedade da biosfera, é ineliminável da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescentámos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os recém-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais também, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptidões para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptidões para a fruição. A crueldade do mundo é sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e espírito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do espírito, e que, pelo espírito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela.
A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças é aterradora. O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis. O ódio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O ódio abstracto por uma ideia ou uma religião transforma-se em ódio concreto por um indivíduo ou um grupo; o ódio demente desencadeia-se por um erro de percepção ou de interpretação. O egoísmo, o desprezo, a indiferença, a desatenção agravam por todo o lado e sem tréguas a crueldade do mundo humano. E no subsolo das sociedades civilizadas torturam-se animais para o matadouro ou a experimentação. Por saturação, o excesso de crueldade alimenta a indiferença e a desatenção, e de resto ninguém poderia suportar a vida se não conservasse em si um calo de indiferença. “

Edgar Morin, in 'Os Meus Demónios'
Em que mundo vivemos? Para onde vamos? E quando crianças são crueis? O que fazer?

Estou desolada … pois tive conhecimento!

setembro 17, 2016

EGOISMO

“ O Egoísmo Pessoal Tapa Todos os Horizontes O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã. Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade. É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada... alguma coisa não funciona. Talvez um dia!” José Saramago, in 'La Verdade (1994)'-Citador Talvez… Beijinho doce

agosto 11, 2016

INVEJA /EGOISMO

“A inveja é uma admiração que se dissimula. O admirador que sente a impossibilidade de ser feliz cedendo à sua admiração, toma o partido de invejar. Usa então duma linguagem diferente, segundo a qual o que no fundo admira deixa de ter importância, não é mais do que patetice insípida, extravagância. A admiração é um abandono de nós próprios penetrados de felicidade, a inveja, uma reivindicação infeliz do eu. “
Soren Kierkegaard, in "O Desespero Humano"( fonte: Citador)´
Quando era miúda diziam-me que a “preguiça era a mãe de todos os males”.

Hoje tenho a certeza que a inveja, a par com o egoísmo, são os grandes pais de todos os males.

Beijinho doce

outubro 20, 2015

NÃO SEI NADA


Cada vez leio mais...cada vez pesquiso mais...cada vez vejo mais...cada vez oiço mais...cada vez sinto mais...
Tenho a sensação que cada vez sei menos e nada entendo.

Beijinho doce

outubro 05, 2015

O MEDO É COBARDE






















Sonhos são sonhos.Uns bons, outros maus,outros horríveis.Todos trazem-nos mensagens.
Era uma noite de verão estava num quarto,a dormir numa cama encostada à parede.O cenário mantinha-se e de repente um medo inexplicável apodera-se de mim pois senti-me assaltada no meu sossego.Algo deambulava lá fora...algo horrível que não consigo explicar.A casa estava rodeada de um jardim com grandes árvores.Lembro-me que havia canteiros, mas não sei que flores os ornamentavam.A certa altura senti socos que vinham debaixo da cama que faziam tremer o lado onde dormia.Acordei e reparei que esses impulsos eram cada vez maiores, ao ponto de dobrar a cama.Pedi socorro a quem estava ao meu lado, que por sinal não sei quem era.Mas nada... Levantei-me a tremer, quase pregada ao chão e suava imenso.Dirigi-me à janela para ver o que se passava e o medo pregava-me à parte lateral direita,como se fosse um quadro.Parei, respirei para me acalmar.Foi nesse instante que notei que a janela estava aberta e uma aragem refrescante sacudia suavemente as cortinas brancas.Havia luar e o céu tinha uma tonalidade azulada brilhante.Depois de me aclamar conversei comigo:
-Mas se a janela estava aberta, porque razão o "algo" não entrava por ali?Porque me atormentava daquela forma tão assustadora?
E a aragem passou a brisa e a calma temperava o ambiente. 
-Cobarde!-gritei eu-cobarde infame!

Conclui que o "algo" era o medo e compreendo porque o sentia.
Foi um dos piores sonhos que tive e senti que o medo é, decididamente, cobarde!

Beijinho doce